“Toda mulher gosta de apanhar. Todas não, só as normais” Nelson Rodrigues

“O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito posseiro, dentro do meu coração”

 

Ele aparece quando dá. Quando dá é uma vez por semana e eu dou. Dou carinho, afeto, cafuné, o jantar, o amor. Ele me ignora na rua porque ninguém pode perceber que é ele quem tira meu chão. Dia sim dia não eu acordo e amaldiçôo a outra, e as vezes confesso, que ouço no rádio aquela estação das simpatias, e faço alguma mandinga ou outra em troca de um pouco de amor.

 

De vez em quando ele aparece de porre, e eu aceito o bafo de cerveja e a falta de cuidado. Me ama com certa rapidez se veste e fala dos filhos para criar, mas basta para me deixar feliz enquanto eu trabalho.

 

Uma vez ele me levou para sair e me tirou de lá as pressas. Me bateu no rosto e eu entendi que alguém devia ter me visto. Eu causo problemas, e ele no fundo quer é me assumir mas não pode.

Diz que a mulher é doente da cabeça, e que está preso a ela. Eu as vezes peço em silencio para ela melhorar e ver se ele fica livre. Foi meu primeiro homem, e antes de dormir eu gosto de imaginar nós nos casando. A lua de mel seria na Paraíba mesmo. Eu pediria pra ele me levar lá, porque assim conheceria minha família e quem sabe a gente não acabava ficando por lá mesmo. Eu conheço ainda aquele moço que é síndico do prédio que eu trabalhei quando era menina e as vezes ele fica lá de porteiro. Há muito tempo ele não trabalha, diz que aqui no Rio ninguém dá chance, oportunidade e por isso, ele fica triste e acaba bebendo. Peço muito a Deus por ele, porque ele é bom sabe… No fundo ele é bom. Ele só não tem oportunidade…

P.G

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~ por Paulinha em dezembro 18, 2007.

Uma resposta to ““Toda mulher gosta de apanhar. Todas não, só as normais” Nelson Rodrigues”

  1. Que reflexão saborosa.
    Um poema solto e preso ao mesmo tempo.
    Isto tudo foi inspiração de Nelson Rodrigues?
    Boa sorte

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