Deus ex machina

A frieza inerte rompe-se subitamente. O gatilho é premido, o cão desloca-se rapidamente batendo no percutor. Tal qual martelo em prego, deforma a espoleta, provocando sua explosão. A chama causada pela espoleta penetra no cartucho furiosamente, resultando na ignição da pólvora alojada no mesmo. A ignição libera gases que aumentam vertiginosamente a pressão e a temperatura interna do cano, empurrando o projétil para o exterior. Os raios internos do cano atuam como estabilizadores, gerando força centrípeta que confere ao disparo maior precisão e poder de parada. A gravidade e a resistência do ar dão ao projétil expulso da arma uma trajetória parabólica, ao mesmo tempo em que este roda sobre seu próprio eixo. O disparo colhe a vítima no tórax. A desaceleração instantânea do projétil é devastadora, ao gerar uma onda de choque no ponto de entrada, dilacerando tecidos, ossos, órgãos vitais, tendões, músculos e artérias. O ponto de saída é consideravelmente maior que o ponto de entrada, tendo em vista a atuação das forças da mecânica, que expulsam o projétil e tudo o mais como um cometa. Após esse percurso, o projétil satisfeito se aloja na parede imediatamente situada atrás da vítima, que vai ao chão. O estampido surdo se esvai no tempo, como o sangue escorre pelo esgoto. Ponto final.

 

DF

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5 comentários em “Deus ex machina

  1. Interessantíssima a idéia, e habilidosamente executada. Eu só apagaria o “vitais.” É vago… não combina com a precisão científica do resto.
    mandou bem, diego 🙂

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