Pequeno veneno


 
Há uma verdade não dita na miséria brasileira. O pobre, uma vez rico, fará de tudo para não voltar à pobreza. Muitas árvores seriam cortadas, se abríssemos para discussão se é de alma ou de caráter, de dinheiro ou de bondade ou qualquer outro conceito afim. Tome-mos como uma verdade, é mais simples assim, no Brasil de hoje, a memória do povo, nunca busca até o fim.

 

Imagine meu Deus, quão perigoso seria, se a política e a revelia, um dia tirasse do berço da fome, um moleque sem nome, e lhe desse direitos e garantias. Empolgado, logo almejaria a boa alfaiataria (dos deputados da capital), não lhe seria extenso o tempo, antes de começar a acreditar que poderia fazer parte da democracia.

 

Alcançaria, sem dúvida, com a obstinação de quem não tem um dedo. Mas, coitado, como nunca fora afeito a emprego, não estranhará os arregos, de “todos os amigos do poder”, pela emendinha no papelzinho, sem pudor ou tutor, que mal conhece o funcionamento a rigor: o Orçamento bancado pelo eleitor.

 

Cuidado Companheiro, o poder cobra o seu preço: e é alto. Nestes casos, o fígado sempre produz um relatório com maior respaldo. Leve-me, Deus, de sobressalto, se um dia, lá dentro, onde o passado, a miséria e a fome, têm um só nome, o mais animal veneno Ele conseguir destilar, e com o futuro se excitar. Não duvide, este será o prefácio da história de um povo, cujo governante para solo gozo, criará um triste verbete na memória de todos, definindo a maldição do continuísmo, que de tempos em tempos, insisti em retornar.

[P.]

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