Levando consigo o néctar das nuvens, uma forte luz néon de perfume lilás se espalhou pela terra e atraiu beija-flores, sabiás e tudo o mais que passou por seu caminho, desembocou no solo através de feixes generosamente deixados pelas árvores, derramou vida e gotículas de chuva na grama já molhada pelas lágrimas das gaivotas, lágrimas, lágrimas…. que certeira e pacientemente caíram nos buracos deixados pelas pegadas dos elefantes, e formaram, assim, no meio da selva, minúsculos lagos onde nasceram peixes fluorescentes e enguias elétricas, muito espertas porque roubaram o brilho dos trovões, os deixando sem força para descer ao chão ou provocar abalos sísmicos, necessários à compreensão do núcleo das coisas, que se enervaram, enervaram… e criaram vulcões, rochas, gases e fogo, cerrando essa unidade cósmica que liga os bichos, a natureza e os humanos, prepotentes demais para se reconhecerem enquanto o que realmente são: pequenas peças, menores que os nêutrons mas tão importantes quanto as formigas e os grãos de areia.

 

 

[CJ]

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