It’s all so quiet

Eu chego do frio e o Rio De Janeiro me cheira a chuva. Me mudo de quarto na mesma casa para ver se assim encontro algumas coisas perdidas. Voltei de viagem sem ver meus reflexos no lugar que me pertence. Voltei para casa sem saber que casa é. Ando muito silenciosa e incomodada com o silencio alheio.

Se sou eu quem finalmente se cala alguém precisa preencher o vazio.

Escrevo textos e paro no meio. Não chamaria exatamente de tristeza. Quando fico sozinha me soa como incômodo. Não tenho mais idade para crise existencial. Aliás, para essas coisas não se existe idade, mas no meu caso e pelo signo do zodíaco, não existe paciência.

 

Eu não quero declarações de amor rasgadas, expostas e melosas, não quero tensão de fim de festa, não quero brigas na escada do prédio, não quero o amor que eu buscava há anos atrás. Não quero dividir nem a casa nem as contas, não quero o ciúme, a posse, a insegurança. Não quero a insegurança, não quero a insegurança, não quero o auto-sabotamento em prol da literatura e nem alguém que não exista sem mim. Eu só quero existir de forma calma, silenciosa do jeito que eu estou agora, mas quero amor nas entrelinhas, entre as pernas, entre nós. E não precisa ser alto. Só é preciso que exista.

P.G

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Golden Virginia

Ouro da Virginia!

Ao tato és molhado,

ao olfato és suave,

aos olhos és brilhante,

aos chatos és insuportável!

Ouro da Virginia!

Ao pulmão és impossível,

ao coração és destrutivo,

à forma física és implacável,

ao café és perfeito!

Ouro da Virginia!

Tua lembrança sempre levarei

comigo às alturas do improvável,

pois para mim és mito

de uma terra que nunca mais verei.

DF

A falta que me faz Paula G.

“…whether you are going to be the one…I can’t decide by now…I really want to spend some time with you…get to know you better than I do…If that is alright with you…”

Esse é gentil e calmo, talvez a pessoa mais normal com a qual eu já me envolvi. E isso quer dizer muito visto que tantos foram aqueles com os quais eu já vivi algo. Não quero dizer mais nada nesse momento… é isso…ele é gentil e calmo. O outro…o quê dizer do outro? Esse mora longe, é minha paixão da vida toda e eu queria tê-lo ao meu lado sempre sempre só que ele mora em outro país. Minha paixão me consome todos os dias é incrível sabe porque nós nos entendemos tão bem e nem nos conhecemos direito. É verdade eu o conheci numa viagem ao exterior e depois disso mantivemos contato sempre sempre e ele me entende e me conforta. O outro…o outro é o protótipo de tudo àquilo que qualquer garota já desejou nessa vida. Uma pessoa honesta, trabalhadora, tranqüila….mas eu fico nessa sabe…será que eu me permito viver uma aventura e largar tudo e não saber do que vou viver e foda-se e não sei mais ou então casar e ter filhos e viver uma vida burguesa tão perfeita com uma pessoa que me adora e eu não sei mais. Essa dúvida me consome todos os dias da minha vida desde que eu conheci os dois e eu não acho justo nada disso porque eu sei que eles também precisam de mim e eu deles só que eu preciso me decidir…porra e no meio disso tudo entra minha família que merda eu não queria fazer ninguém sofrer mas talvez uma decisão possa transtornar todo mundo….meu deus meu deus será que posso ousar tanto assim no meu individualismo ou deveria pensar mais na família? Veja bem, enquanto um me apoiará nas minhas tentativas de largar o cigarro, o outro será aquele que me trará o melhor tabaco do mundo de suas viagens ao redor do globo. Esse me confortará nos meus porres e me convencerá de parar de beber tanto assim como eu bebo…aquele beberá comigo todos os dias e conversaremos tanto tanto que eu nem sei como vai ser isso será que um dia teremos ainda assunto?! Será que os dois me amarão quando eu não for mais jovem? Será que eles me abandonarão quando meus peitos murcharem e minha pele enrugar? Besteira pensar nisso agora…que merda eu ainda tenho tudo no lugar e eles também…é eles têm que pensar que as coisas cairão sobre o efeito da gravidade…desejo não ter conhecido nenhum dos dois para não ter que optar por uma vida ou outra que eu nunca saberei como será de antemão mas me preocupo de qualquer forma porque sou humana…e amo tanto.

DF

Piano

estou seguro de que tudo pode acontecer porque a terra está fora do eixo, o que faz com que, entre outras coisas, seus fluxos eletromagnéticos se alterem, proporcionando aos homens o poder de encontrar sua sintonia fina

e vibrar na freqüência da própria espécie, freqüência esta que é universal, mas que pulsa com um vigor específico, assim nunca se confundindo com os valores materiais e de troca, por estar acima deles, num campo verde

onde a paz reina tranqüila nos corações descansados, e seu castelo se parece com aqueles das grandes navegações, pedaços de madeira de todas as civilizações se misturaram para formar o que somos hoje

[CJ]

Nada mais importa

Cansei de escrever sobre o belo e o sujo. Prefiro agora escrever sobre o tempo e o meu destino. Entrego às suas mãos divinas o destino da humanidade, pois já não posso viver com o peso de expressar nossos infortúnios, nossas avarezas, seus defeitos já que feitos à sua semelhança somos. Escreverei agora sobre o sobrevir, aquilo que está fora do alcance da pena mesquinha, aquilo que será e que ninguém pode prever. Escreverei sobre meus orgasmos fatais e tão banais. Não saberei mais da história ou da forma ou do conteúdo. Serei pleno em mim mesmo, ser brilhante a pulsar na escuridão soturna. Serei o predicado e não mais sujeito, serei o fim e não mais o meio. De que me importa a batalha mais voraz se a luta que empreendo comigo mesmo me é mais dolorosa e relevante? Sim, fecho-me em um casulo e nele estarei protegido contra tudo e todos. Alegar-se-á que fui um covarde, um mero instrumento do individualismo. Abordar-se-á a forma com a qual eu fui e nunca voltei, alheio ao presente e em busca do passado. Resumir-se-á a minha técnica, que será enquadrada em algum movimento esdrúxulo em busca de uma suposta perfeição literária. Nunca entenderão o chamado, contudo. O ardor que sinto pelas coisas tolas e fúteis, pela própria natureza do homem. Nunca saberão que na verdade o que eu buscava era a essência mesma do Eu e toda sua poesia. Falhei em minha busca pelo entendimento. Isso com certeza será propagandeado aos quatro ventos. Mas não importa. O que são as palavras? Essas quase nunca perduram. Vale mesmo é o sentimento, e esse raramente é bem expresso. Tentei.

 

DF