Sábado de carnaval

E no sábado ele acordou com o auxílio do despertador às sete da manhã. Levantou-se e se meteu dentro do chuveiro, água fria para despertar os ânimos. Dirigiu-se a cozinha e preparou um café da manhã bem básico, desses de café de máquina e torradas com manteiga. Após comer, voltou ao quarto e começou a se vestir. Tênis velho, camisa branca, bermuda e um chapéu de palha que comprara por cinco reais. Apertou o botão do elevador ainda muito sonolento, sem pensar em nada além de nada. Descendeu, aprumou-se para o porteiro e se foi do prédio. Chamou um táxi e pediu para tocar para laranjeiras. Chegando lá pagou e deixou uma gorjeta a mais pelo fato de o taxista não haver puxado qualquer conversa. O tumulto já começava a se estabelecer. Pessoas fantasiadas e vendedores ambulantes e tráfego e polícia. O batuque, todavia, não começara. E ali, sozinho, ele pensou na festa da carne, na necessidade de esquecer e se entregar a full àquele evento complexo e repentino que era o carnaval. Os tambores rufaram e as pessoas também, o bloco seguiu seu percurso de aventura em meio à massa transforme de seres disfarçados. E então ele pulou o carnaval delícia, de marchinhas e samba-enredos, de segredos e mentiras, de fantasias e ilusões. Pulou, pulou. E vestido de sambista, ensaiou seus passos para lá e para cá, enfeitando a multidão. Pulou, pulou. E chorava de emoção com as canções que lhe descreviam a alma, atrás da máscara que transfigurava seus desvarios e o imiscuía a plebe feliz e sentia que era parte de alguma coisa maior que seus meros devaneios. Feliz, contente, bailou o dia e cantou a noite, que chegou rápida e trepida, chamando à realidade os foliões alquebrados. O baile terminara? Que nada! A festa mal começara! Tomou o rumo de casa, os joelhos cansados e a bile inflamada. Abriu a porta, livrou os pés do tênis, abriu outra cerveja, colocou a camisa na máquina e, por fim, retirou a máscara carnavalesca que lhe trouxera tanta vida e emoção que já não esperava sentir. Dormiu o sono dos justos sonhando com o domingo, ainda de carnaval.

 

DF

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