Eu-hermético

 

 

Não pretendo que ninguém entenda.

Mas farei aqui minhas oferendas

Às loucas profundezas do meu ser.

 

Que é pobre, como as mulheres escravas

Caminhando acorrentadas no deserto,

Onde sem água, comida ou afeto

 

Deixam escorrer um feto

Por entre as pernas

Pois o corpo não pode mais suportar.

 

Que é bêbado, de vertigens pós-modernas

Cujas ondas eu enfrento e carrego

No comando do meu próprio barco.

 

Afinal, sem torpor seria intransponível

Atravessar tantos desejos malditos

Saindo da boca das sereias de Ossanha.

 

Que é duplo, no sim e no não dos sentidos

Da vontade de falar mas só praticar o silêncio

Poupando algumas verdades, àqueles que não querem ver.

 

Como um peixe que aprecia a Rede

Balançando na maré de otimismo e medo

Sempre a mesma história, com o mesmo enredo.

 

Por isso mesmo dormindo estou acordado

Lutando no exército de mim mesmo

Que batalha nas fronteiras do horizonte

 

………………………………………………………

Derrubando estereótipos

……………………………………………………..

 

Buscando a independência dos ideais

Sob o comando de dois generais:

Eu e meu Eu-hermético.

 

Paco Kasper

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