Estudo sobre a ansiedade

Agora nesse instante não posso mais dormir. A insônia já me acompanha há vinte dias e todas as técnicas que eu já aprendi para ludibriar esse mal não mais funcionam. Gostaria de saber qual é o real significado dessa incapacidade de dormir. Talvez seja a diferença de fuso horário, mas meu relógio biológico, após mais de uma quinzena, já deveria estar regulado. Talvez seja a dieta diferente, mas eu nunca tive problemas com comida estrangeira. Talvez sejam os problemas que me aguardam em casa, só que ao invés de ficar pensando nisso deveria estar curtindo o momento, aproveitando as supostas férias que mais me parecem um exílio auto-inflingido. Talvez seja a falta que me faz os amigos, mas eu sei que eles estão bem e que, pelas parcas notícias, também sentem saudades. Talvez seja a noção do complicado que é o convívio familiar, talvez seja a compreensão do ser que sou, talvez seja o tabaco que eu fumo antes de me deitar, talvez…mas de quem escondo a grande verdade? Sei muito bem o porquê disso tudo mais ainda assim fico inventando razões para não acreditar ou minimizar a situação. O que incomoda e gera ansiedade é a concretização de um certo sonho encetado e planejado durante longos anos e que, agora, espanta. Sinto-me uma criança na fila de espera do passeio no parque de diversões, tenso e exultante pequeno infante louco pela adrenalina que lhe anunciam os cartazes. Meu deus meu deus…quais serão as primeiras palavras…como serão os primeiros olhares? Já não posso mais conter dentro de mim toda essa ansiedade, que arrasa meus nervos de forma tão avassaladora. Já não posso mais acreditar que tudo isso não passará de mera aventura, que esse evento mítico não definirá um futuro que no fundo de minha ingenuidade desejo seja próximo. Não agüento mais, peço ajuda ao papel em branco e, aflito, tento dar forma ao sentimento. Peço ajuda ao intelecto, à razão mais pura, nesse esforço de galvanizar o que sinto. Desejo entorpecer a mente de tal forma que me faça esquecer isso tudo ou que então, elevado os sentidos, possa finalmente compreender a essência do destino que, de tão aparente, acomete-me tanto medo.

Madrid, 21 de abril de 2008.

DF

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Musa inspiradora

Quando eu te vi pela primeira vez, ansioso que estava, não pude observá-la bem. O fato de que fazia muito frio e que havia uma neblina tão pouco ajudava. Levei um tempo para compreender sua geometria e seus hábitos tão noturnos. Foram dois meses e meio de convívio, período no qual eu vivi, quiçá, o período mais feliz da minha vida até o momento. Deixei-te sem nenhum arrependimento, porém já com uma saudade absurda pois sabia, no fundo da minha alma confusa, que depois desse tempo nada seria igual. As comparações sempre seriam feitas, você sempre seria um padrão de referência para todo o porvir. E agora, exatos três anos de minha partida, reencontrei-te mais bela ainda. Fiquei feliz em vê-la bem assim, ainda tranqüila e agitada ao mesmo tempo. Levo dentro de mim um pedaço seu, saiba disso, e nessas poucas palavras, indignas de sua musa, elevo-te ao panteão de minha alma, bela Salamanca.

“You’re in Spain…walking free…I’m inside without the key…”

DF

Dreamaholic

 

O mundo é dividido entre as meninas que quando crianças carregavam estojos abarrotados de canetas coloridas para a escola e as outras,que sempre perdiam tudo e pegavam emprestado.

E eu me encaixo na segunda categoria.

O mundo é dividido entre pessoas gato e pessoas cachorro (eu não confio em pessoas que não gostam de animais)

E eu me encaixo na segunda categoria.

O mundo é dividido entre homens que gostam de mulheres de cabelos compridos, e os que não gostam.

(E bem, os da segunda categoria…)

E eu tinha a cara de pau de achar que isso ia dar certo?

Eu que caio sozinha andando de bicicleta entre o Leme e Copacabana, que contabilizo cicatrizes no joelho e algumas outras internas que na verdade são as que aparecem mais, que não dirijo porque não consigo, que falo pelos cotovelos e com pessoas desconhecidas e aleatórias, que choro pouco mas choro em um jogo do Flamengo, que sou mais aceita no grupo dos meninos do que no das meninas, e que sinto tudo tão físico, e grito às vezes sozinha em casa, e preciso tanto de um banho de cachoeira que às vezes perco a graça,e tenho medo de ser feliz, porque na minha cabeça dias felizes e tristes se alternam em 20 dias e por isso eu sofro por antecipação e quero escrever um livro, e quero escrever um roteiro, e não quero ter filhos mas guardo nomes de meninos silenciosa, para daqui há 30 anos, quem sabe,e sinto falta da minha família e amo meus amigos como ninguém, e ainda não tive porque acreditar em amores que não acabam, casamentos inacreditavelmente felizes,trabalhos completamente satisfatórios e que alguém consegue ser feliz sozinho. Eu, que consigo separar tanto o que é físico e o que é sentimento e que me apaixono pelas esquinas, mas que só quero uma pessoa no fim do dia, e que morro de medo de tudo e que acho que felicidade é um amor dentro de um avião e rodar o mundo e que transformo em palavras tudo o que me dói porque senão eu enlouqueço, eu que sonho acordado todos os dias, e sou uma esperançosa incorrigível, e que acredito nas pessoas embora todos os dias eu perceba que nem todo mundo é legal, que tenho a ingenuidade de uma criança de 5 anos, que às vezes some por completo, mas que todos os dias eu tento recuperar, que finjo muito, mas no fundo acredito em tudo, e eu…

Tinha a cara de pau de achar que isso ia dar certo….
PG