“Tenho ciúme desse cigarro que você fuma tão displicentemente” , e do mundo que te cerca e eu não sei, e das coisas que acontecem e que eu não vejo, e de tanta gente ordinária que leva uma vida normal, e eu, que passei tanto tempo odiando o cotidiano, sinto falta das coisas mais triviais e de saber com hora marcada tudo o que vai acontecer. Tenho ciúme da calma e do cômodo, de todos aqueles que levam uma vida sem muitos acontecimentos e em que as pessoas são a grande coisa. Tenho ciúme daqueles que passam e não sentem nada, que já não se magoam com as coisas erradas, com as contas, com a falta de grana, de amor, de viagens, de nada. Morro de inveja daqueles que se sentam e observam o tempo passar levando tudo, e dos que não choram querendo tudo de volta. Eu queria ser pacífica ao invés de passiva, e queria muito não saber colocar toda a minha dor em formato de letra, porque sentimento quando vira palavra escrita vira documento, apontando pro mundo inteiro aonde dói. Eu queria saber das coisas com antecedência, e ter idéia de onde pisar, e postergar alguns medos pro futuro, onde eu realmente saiba lidar com as coisas. Eu queria sentir um terço das coisas, e viver metade, me dar aos poucos, ter menos ódio e ao mesmo tempo mais fé no amor, queria que as pessoas me passassem como se não existissem, pois assim a vida me viria de forma menos física, e de forma menos física, eu teria mais calma nos dias. Eu queria saber dizer aonde machuca, aonde incomoda, gritar no momento exato da raiva ao invés de transformar a raiva em letra, e queria dizer “eu te amo, mas não consigo” , e queria ser amada com o corpo todo, e queria que fosse falado ao pé do ouvido e demonstrado todos os dias, eu queria que o amor se esgotasse mas que antes se mostrasse para mim me provando que ele existe, eu queria ter menos ânsia, menos medo, menos dúvida, menos sentimento, menos dele guardado em cada dobra do meu corpo. Eu queria que o mundo parasse pra consertar o que está errado, queria te abrir os olhos e abrir meus braços, queria que a vida me passasse blaseé, mas eu sinto todas as coisas.
Eu queria te dizer que sinto tudo.
Sinto muito.

P.G

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